Imagine viver em uma sociedade onde nada pode tirar sua alegria de viver. Onde tudo é bom demais pra ser verdade e você evita pensar nos problemas que assolam a humanidade e faz de tudo para não se estressar com nada. Sua vida seria baseada em programas fúteis de televisão, em tomar doses exageradas de remédios tranquilizantes e, além de tudo, viveria completamente proibido de ler livros. Sim, livros são proibidos na sociedade do futuro, criada por Ray Bradbury. O motivo? Eles te fazem refletir sobre coisas que você preferia não pensar.

Em Fahrenheit 451, ao contrário de outras distopias, onde o governo faz as pessoas de fantoches, Bradbury descreve a sociedade do futuro sendo regida pelo medo que as pessoas têm de serem infelizes. Por esse motivo, elas mesmo condenam os livros ou qualquer outra atividade que as façam refletir sobre os problemas ao seu redor. E para punir os cidadãos, que ainda insistem em ter essa "droga" em casa, existem os bombeiros. Na história, eles não mais apagam o fogo, eles são os responsáveis por queimar as bibliotecas dos moradores, através de denúncias feitas pelos vizinhos.

Guy Montag é um dos bombeiros da cidade e personagem principal do livro. As coisas começam a mudar na vida dele quando ele conhece uma jovem que mora em frente a sua casa. Considerada como "louca" por gostar de conversar com as pessoas e discutir sobre temas atuais, Clarisse acaba despertando em Montag a vontade de pensar. É perceptível a evolução do personagem durante a trama, visto que ele passa por três etapas: o cidadão completamente alheio e manipulado pelos pensamentos vazios da sociedade, o cidadão acordando para o que está acontecendo ao seu redor e, finalmente, o cidadão fora do padrão imposto pelo povo.  

Segundo relatos feitos pelo autor, a intenção de escrever o livro era de mostrar como a televisão acaba com a vontade de ler das pessoas. O exemplo claro de como isso acontece, está no fanatismo da esposa de Montag e nas futilidades dos seus pensamentos. Mildred passa o dia inteiro assistindo televisão e considera ter livros um crime imperdoável. É como se as obras fossem o "crack" atual: altamente perigoso, alucinógeno e destruidor. A sociedade em Fahrenheit 451 está com os valores invertidos. Em 2015, somos cada vez mais incentivados a ler para refletir e agir de uma forma menos controlada pelo governo. Na obra de Bradbury, as pessoas que tendem a ler e a pensar, são consideradas alienadas e infelizes. E ser infeliz nesta sociedade, é praticamente um crime contra o amor-próprio e o egocentrismo.    

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