Foi no ano de 1939 que se iniciou o maior conflito global entre as nações. O mundo estava dividido por um guerra que era composta por dois lados: o do Eixo e o dos Aliados. Alguns dizem que a guerra começou devido a invasão da Alemanha Nazista a Polônia, em primeiro de setembro deste mesmo ano, e também ao desejo de guerra da França contra a Alemanha. No total, foram mais de 50 milhões de mortos. Entre essa quantidade desumana de vítimas, mais de seis milhões de crianças, homens e mulheres eram de origem judaica. Nesse grupo, estava Anne Frank, uma adolescente de quinze anos, que morreu no mesmo ano do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
"Os judeus tinham de usar, bem à vista, uma estrela amarela; os judeus tinham de entregar suas bicicletas; os judeus não podiam andar de bonde; os judeus não podiam dirigir automóveis. Só lhes era permitido fazer compras das três às cinco e, mesmo assim, apenas em lojas que tivessem uma placa com os dizeres: loja israelita. Os judeus eram obrigados a se recolher em suas casas ás oito da noite, e, depois dessa hora, não podiam sentar-se nem mesmo em seus próprios jardins. Os judeus não podiam frequentar teatros, cinemas e outros locais de diversão. Os judeus não podiam praticar esportes publicamente. Piscinas, quadras de tênis, campos de hóquei e outros locais para a prática de esporte eram-lhes terminantemente proibidos." 
No seu 13ª aniversário, a protagonista da história, que representou milhões de judeus, ganhou seu primeiro diario. No mesmo ano, em 1942, a família de Anne resolveu se esconder, para não correr o risco de ser apanhada pelo governo nazista, liderado por Adolf Hitler. Nessa época, a perseguição contra a massa judaica, os prisioneiros de guerra e os homossexuais já estava avançada e tomava conta, principalmente, do leste da Europa. 


Durante dois anos, Anne Frank viveu em um local que foi batizado de Anexo Secreto, onde dividia o espaço com mais sete pessoas (incluindo seu pai, mãe e irmã), que também tentavam se proteger da guerra. O local era a parte superior da fábrica onde seu pai trabalhava na época. Foram dois anos vivendo enclausurada dentro de um sótão, sem poder colocar os pés na rua ou a cabeça para fora da janela.  
"Não poder sair me deixa mais chateada do que posso dizer, e me sinto aterrorizada com a possibilidade de nosso esconderijo ser descoberto e sermos mortos a tiros." 
Assim como toda garota adolescente, Anne tinha sonhos, medos e desejos, que não poderia realizar enquanto estivesse escondida para preservar a própria vida. Desde que começou a viver no Anexo Secreto, ela se sentia tão presa física e emocionalmente, sendo criticada o tempo inteiro pelas pessoas que ali conviviam com ela, que escrever no seu diário era a forma que ela tinha de escapar disso tudo, pelo menos por alguns minutos do seu cansativo dia.
"Não posso julgar o caráter de mamãe. Eu apenas a vejo como mãe, e é justamente isso que ela não consegue ser para mim. Sou obrigada a ser minha própria mãe. Afastei-me de todos. Eu mesma tomarei o leme da minha vida e, mais tarde, procurarei onde aportar."   
Anne era uma garota que estava com os hormônios à flor da pele. Uma jovem cheia de contradições e ideias tão adultas, que qualquer pessoa mais velha nunca iria conseguir associar seus pensamentos ou entender o que se passava na sua cabeça. Ela era uma explosão de fúria e ao mesmo tempo, uma menina cheia de amor no coração. Apesar do seu gênio forte, e sua pouca paciência, misturada com o drama da adolescência e o medo de morrer na guerra, ela nunca perdia as esperanças de que um dia iria sair dali para voltar a viver sua vida e voltar para o colégio.
"Às vezes penso que Deus está me pondo à prova; preciso tornar-me boa através de meus próprios esforços, sem exemplos nem bons conselhos. Assim, no futuro, serei mais forte."  
O Diário de Anne Frank é uma obra completa, onde a gente se emociona, cria esperanças, aprende e sente muita dor, tudo ao mesmo tempo. Essa adolescente cheia de ideias "revolucionárias" poderia estar viva até hoje, fazendo do mundo um lugar melhor. Infelizmente a história dela não acaba bem para quem se apaixonou por sua história. Anne morreu aos quinze anos, vítima da tifo, uma doença comum entre os prisioneiros dos campos de concentração, que era contraída através dos piolhos de corpo. A polícia alemã descobriu o Anexo Secreto em agosto de 1944. A última carta que escreveu em seu diário, data do dia 1ª do mesmo mês. O único sobrevivente da sua família, foi o seu pai, Otto Frank, que acompanhou o lançamento do diário da filha, no ano de 1947.   


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