Harriet Vanger desapareceu no ano de 1966, quando tinha apenas 16 anos. Seu tio, o milionário Henrik Vanger procura a sobrinha há 36 anos. Todas as buscas foram feitas meticulosamente na ilha em que a família de empresários morava. Na ocasião, ocorreu um acidente na ilha localizada na Suécia e todos os moradores ficaram presos do "lado de dentro". Ninguém saia e ninguém entrava. Harriet poderia ter sumido, ou como o tio suspeitava, assassinada. E o pior: por alguém da família, que são todos sedentos por poder e dinheiro.

Do outro lado da Suécia, o jornalista Mikael Blomkvist é condenado a passar três meses na cadeia por difamar o financista Wennerström. Preocupado com a situação da revista em que trabalha (e fundou), ele aceita a proposta de Vanger para tentar solucionar o caso do desaparecimento da sua sobrinha. O jornalista passará um ano investigando um caso que homem nenhum conseguiu resolver durante quase quarenta anos.

Stieg Larsson colocou um pouco da própria história no seu bestseller. Ele também foi fundador e editor-chefe da revista sueca Expo, que como a Millennium, investiga e denuncia casos que podem chocar os leitores. Apesar de não ter o mesmo destino do seu personagem principal (Larsson sofreu um ataque cardíaco em 2004 e morreu após entregar os originais do romance da trilogia Millennium), a trama se desenvolve de uma forma meticulosamente detalhada. É perceptível que Stieg gosta de escrever e ama contar histórias. Ele cria uma vida inteira para cada personagem e consegue fazer com que o leitor só largue o livro quando tiver terminado as 522 páginas.


A história é narrada em três núcleos, que acabam se tornando dois, quando o jornalista passa a viver na ilha onde o milionário mora. O primeiro narra a trama de Vanger e de sua família de "loucos", a segunda conta o drama de Blomkvist e a terceira, que se torna a mais interessante, acompanha a vida da hacker Lisbeth Salander. A personagem feminina é uma daquelas personalidades que apaixona antes mesmo de ter sua história contada. Com vestimentas estranhas e um comportamento ainda mais perturbador, a garota de 23 anos está sob a tutela do Estado por ser taxada como socialmente incapaz. No fim das contas, a personagem conhecida como A Garota da Tatuagem de Dragão, acaba se juntando ao jornalista para resolver o caso de Harriet e se mostra uma das mais interessantes criações da literatura investigativa.

A trama tem seus altos e baixos e em determinada parte, quando as investigações estão esquentando, o autor resolve dar uma parada dramática para explicar coisas do passado. Stieg não economiza nas palavras e pode deixar os mais curiosos um pouco impacientes. É preciso se segurar para não ter acesso ao filme antes de terminar o livro. A trama tem um desfecho eletrizante e deixa um gostinho de "quero mais", para o segundo volume da trilogia, que ganhou o título de A Menina que Brincava com Fogo. 

Lançado em 2008, o primeiro volume da trilogia Millennium ganhou duas versões adaptadas para o cinema. A primeira (considerada "original"), foi lançada em 2009 estrelou a atriz Noomi Rapace como Lisbeth e Blomkvist como Michael Nyqvist. Em 2011, Hollywood lançou a segunda versão para a obra de Larsson. Rooney Mara, interprete de Salander foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Apesar de não ter levado a estatueta para a casa, ainda foi indicada a mais dez prêmios e, por fora, ganhou mais seis. Apesar das críticas positivas, a atriz europeia se saiu melhor na interpretação da hacker. Daniel Craig também fez parte do elenco do filme como vivendo Mikael.

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