Em seu livro de estreia, em que Christopher Paolini escreveu durante sua adolescência, ele conta a história de Eragon: um menino de quinze anos que vive no campo e acaba vendo sua vida de cabeça para baixo quando encontra uma pedra azul muito bonita no meio da floresta. A obra, que foi lançada no Brasil em 2006 pela editora Rocco, virou sucesso e até o ano de 2005 tinha vendido mais de 4 milhões de exemplares em 38 países.

Dragões, elfos, orcs, cavaleiros e anões. Todos os elementos de uma boa fantasia poderiam transformar Eragon em um dos livros mais queridos dos fãs de literatura fantástica. Infelizmente não foi o que aconteceu com essa obra considerada "clássica" entre o gênero. Paolini escreveu uma dessas histórias que precisam de vários retoques para se tornar uma boa e agradável leitura. Além da grande quantidade de "encheção de linguiça", o autor deixou seus personagens rasos e beirando o drama das novelas mexicanas (para não dizer piegas).

Para quem está acostumado a ler obras de fantasia do nível Tolkien ou até do contemporâneo George R. R. Martin, a história narrada por Paolini passa longe de ser uma obra crível. Mesmo abusando dos clichês como heróis adolescentes, mestres idosos, elfa de beleza estonteante que fisga o coração do mocinho e anões que constroem cidades em minas, o autor deixou que sua imaginação fugisse demais das pontas dos dedos e deixou a desejar na narrativa. A obra é nada menos que maçante.


Apesar de ser conhecida como "leitura obrigatória", o primeiro volume da série Ciclo da Herança demora para engatar. As longas viagens feitas por Eragon e por Brom (o mestre velhote) passam páginas e mais páginas e sempre acabam com o mesmo desfecho: fuga. Eragon é um adolescente teimoso e metido a moralista que acaba entediando o leitor e deixando o história ainda mais chata. O seu dragão, Saphira, é uma adolescente que não aguenta o peso de três pessoas em suas costas e não consegue carregar mais que um cavalo por vez.

No fim das contas o que Paolini precisava era amadurecer sua história para deixá-la menos entediante e mais redonda. Apesar de ser uma série de quatro livros, O Ciclo da Herança poderia ter terminado no primeiro, mas de outra forma.

3 Comentários

  1. Oie!
    1º U-O-U
    2º No way :O
    Caramba, não acredito que não gostou.
    Sei que têm muitos clichês, contudo ele conquistou meu coração.
    E afinal como todo aborrecente Eragon enfrenta suas próprias lutas internas. Além do fato que esse livro é bem antigo, é quase um clássico, rs.
    Então acho mais provável que os autores recentes o tenham copiaram, rsrsrs...
    Mas é bacana conhecer opiniões diferentes, você defendeu de forma bem concisa sua opinião.
    Um grande abraço
    Att

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    1. Oi, Sami! Obrigada por deixar sua opinião.

      Fiquei tão espantada quanto você quando comecei a ler o livro. Não por ter amado, mas por ter me decepcionado. Eragon é sim considerado um clássico da literatura fantástica (pelo o que eu pesquisei), mas infelizmente não entrou para a lista dos preferidos (tanto por eu já ter lido Tolkien - muito mais antigo que qualquer outra obra do gênero - como por já ter lido As Crônicas de Gelo e Fogo - que é o clássico contemporâneo). Minha crítica se deu ao nível diferenciado do autor. Para ser um clássico junto a esses dois autores acima, ele teria que, no mínimo, fazer com a que leitura fluísse mais rápido. Passei mais de uma semana para conseguir chegar na metade (por isso passei duas semanas sem escrever nada por aqui). E como eu sou muito exigente em relação a fluência da narrativa, esse fato já deixou que uma estrela caísse na minha classificação final. Quando a história começou a ficar menos chata do que o resto do livro, tudo termina. E é pouco provável que ele seja exemplo para algum autor imitar porque os seres que ele introduziu na história já haviam sido descritos por outros autores. Visto que ele escreveu esse livro por volta de 1998 e a turma da fantasia já tinha conhecido Tolkien por volta de 1954, é bem provável que ele tenha pego emprestado alguns elementos (o que não é crime algum). Para completar, pesquisei a opinião de algumas pessoas pela internet e vi que não estou sozinha nessa barco. Enfim, cada um com seu histórico de leitura e gosto :*

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  2. Caramba, que resenha!!!
    Karol, confesso que achei que seria convencida a retomar a leitura da série, mas me surpreendi ao descobrir que você compartilha da mesma opinião que eu a respeito do livro. Obrigada por fazer eu me sentir menos cruel por não gostar de Eragon!
    Sabe qual foi a pior parte da leitura pra mim? Perceber que o filme que eu gostava era ruim. Pois é, eu adorava o filme Eragon, achava muito bem bolado o universo, ainda mais que ele veio durante o boom de filmes de fantasia da década passada, e eu estava eufórica e assistindo todos os lançamentos.
    Aí, quando decidi ler o livro no ano passado, tive uma das maiores decepções literárias, até então. Percebi as diferenças do filme para o livro, e isso acabou estragando a experiência cinematográfica que eu tinha, mas o livro não fica tão atrás assim, a narrativa é maçante, repleta de clichês que, por vezes, me irritavam e isso me desmotivou totalmente a seguir a leitura da série.
    Mas há um ponto que me deixa com vontade de seguir a leitura da série: as capas dos livros. Elas são lindas demais!!!! Então, talvez um dia, quando eu não tiver nada mais importante pra ler (sonho), eu tente dar uma segunda chance a este universo. Por enquanto, admiro as capas de longe. Hehehe
    Beijos!

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