Não há dúvida que os leitores de fantasia são um dos mais exigentes do mercado. Eles criticam a forma de escrever do autor, marcam os pontos e os trechos mais importantes que podem fazer alguma diferença para a humanidade, admiram os personagens mesmo com todos os defeitos de caráter e ainda aproveitam para dar um final alternativo, caso não tenha gostado do desfecho da história. Imagine só juntar esses dois gêneros de literatura e escrever uma série de cinco livros (ainda faltando dois volumes para completar) cada um com mais de 500 páginas. Das duas uma: ou a obra será um bestseller mundial e virar clássico, ou será um completo fracasso. Neste sentido, George R. R. Martin se deu muito bem.


A Guerra dos Tronos é o primeiro volume da série As Crônicas de Gelo e Fogo, publicada originalmente em 1996 pelo escritor norte-americano George R. R. Martin, também conhecido como o "bom velhinho", George Martin. O autor, que hoje goza dos seus 67 anos e está em ascensão na carreira de escritor e roteirista da série inspirada em sua obra, já vendeu mais de 25 milhões de exemplares mundialmente. Atualmente a coleção de livros encontra-se inacabada em seu quinto volume, A Dança dos Dragões. Segundo o escritor, há ainda duas obras para completar a série.


George R. R. Martin é um gênio contemporâneo da literatura fantástica. A Guerra dos Tronos é um livro que dispensa comentários a respeito da qualidade da obra e da narrativa épica em que Martin embarca seu leitor.
Nunca se esqueça de quem é, porque é certo que o mundo não se lembrará. Faça disso sua força. Assim, não poderá ser nunca a sua fraqueza. Arme-se com esta lembrança, e ela nunca poderá ser usada para magoá-lo - Tyrion Lannister


É fácil imaginar que a história está cheia de criaturas do submundo como foco de todo o enredo. Há sim, os Outros, como são conhecidos as criaturas que aterrorizam a Floresta Assombrada para lá da Muralha ao Norte de Westeros, mas nada que se compare com o foco na guerra entre as grandes famílias poderosas que reinam. A história é complexa, cheia de personagens (a ponto de ter um apêndice no fim do livro com as dinastias das casas que habitam/habitaram os sete reinos), que infelizmente, deixa o leitor confuso no início. Há traições, sexo, orgulho, inveja, dragões, conspirações, mentiras, personagens detestáveis (na mesma proporção dos amáveis) guerra, mortes, mortes, mortes...
Pode um homem continuar a ser valente se tiver medo? – ouviu sua voz dizer, uma voz pequena e distante. E a voz de seu pai respondeu. – Essa é a única forma de ser valente - Diálogo entre Bran Stark e seu pai Ned Stark
A história é contada em terceira pessoa, mas cada capítulo há um foco nos personagens principais da trama. Há o ponto de vista da família Stark; exceto pelo filho mais velho do casal, o Robb, e há o ponto de vista de Tyrion Lannister, o anão, irmão da megera da rainha Cersei Lannister. Não há como não se apegar a cada estilo de ver as coisas de cada personagem. É possível se encantar com a doçura e com os sonhos da doce Sansa Stark, ou pode querer rir com o humor sarcástico e ácido do anão Tyrion. Ainda mais provável querer viajar e conhecer a história dos últimos dragões lendo o ponto de vista de Daenerys Targaryen. Que inclusive, no decorrer da trama, evolui de uma forma drástica após seu casamento com o  bárbaro Khal Drogo. A personagem sofre com a ditadura do seu irmão Viserys desde pequena, após a morte dos seus pais, e é aos treze anos, que se casa e passa a ser a princesa Khaleesi.
A mente é a minha arma. [...] e uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada. - Tyrion Lannister, em diálogo com Jon Snow, quando lhe é perguntado por quê lê tanto. 
Seria fácil passar o dia escrevendo sobre os bravos, guerreiros, fracos, prostitutas, bárbaros, oprimidos, vítimas de rejeição dos personagens encantadores que o George criou... Seria mais fácil ainda demonstrar o amor pelo bravo bastardo Jon Snow, e da admiração pela tão dedicada Catelyn, da adoração e paixão por Arya Stark e também do ódio que pulsa cada vez mais forte com as barbaridades da rainha e do seu filho Joffrey.

George consegue fazer arrepiar cada fio de cabelo com o final da história. A única desvantagem da história, se é que assim pode se chamar, são as mortes dos personagens. Martin é um escritor impiedoso. Afinal, estamos falando da Idade Média, em plena guerra, onde até os "bonzinho" morrem. E claro, se isso não acontecesse, com certeza os fãs mais críticos da literatura fantástica não iriam dar crédito algum ao "bom velhinho".


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