Jane Austen era uma escritora inglesa que nasceu no ano de 1775, no interior da Inglaterra. Decente de uma família de nobreza agrária (sendo a mais nova de sete filhos), ela viveu na época em que casamentos eram arranjados para benefícios monetários, como o dote que a noiva poderia oferecer, por exemplo. Austen presenciou as mulheres jovens daquele tempo viverem loucas a procura de um marido e de uma casa confortável para morar, cuidar e ter seus pequenos herdeiros. Ela poderia ser só mais uma garota em busca de um "amor verdadeiro", que na verdade não passava de interesses financeiros, mas felizmente, Jane Austen era uma jovem à frente do seu tempo. A prova concreta disto encontra-se na forma irônica em que ela retratou essas situações em suas obras. Orgulho e Preconceito é o seu livro de mais sucesso, talvez por ter retrato tão bem a revolta que ela sentia através da protagonista Elizabeth.  

O casal Bennet foi agraciado com cinco lindas meninas, que por causa da loucura de sua mãe, caçam maridos o tempo inteiro. O sonho de Mrs. Bennet é ver todas as suas garotinhas casadas com um bom partido para que cada uma tenha o direito a ser feliz e viver em paz com o parceiro que escolheu. Claro que tudo isso é desculpa para não dizer que, na verdade, o seu desejo é ter status na sociedade, mostrando que foi capaz de arrumar marido para suas cinco belas filhas. Uma delas é Elizabeth, a segunda irmã mais velha ao lado de Jane, a mais bela das cinco garotas. Ela poderia ser só mais uma mulher atrás de um bom partido para casar, mas ela é a única das cinco irmãs que procura um verdadeiro amor.


Lizzy (como é conhecida por seus familiares e amigos) poderia ser uma personagem do século XXI, apenas por criticar a sociedade e por não ter nada a ver com as mulheres fúteis e bem treinadas da sua época. Ela rejeitou a proposta de um casamento que poderia salvar a propriedade dos seus pais, apenas porque não gostava da pessoa que propôs: seu primo Mr. Collins. Na época, ela nutria uma insatisfação e um verdadeiro ódio pela convivência com um cidadão chamado Mr. Darcy, que era visto pela sociedade (e por ela mesma) como arrogante, preconceituoso e orgulhoso. Dono de uma imensa propriedade no centro de Londres, Darcy vivia a paparicar e a educar sua irmã mais nova, e era de poucos amigos. Nutria também um certo repúdio por Lizzy, que segundo ele, não era bonita o suficiente para chamá-lo a atenção e tão pouco tinha a mesma quantidade de dinheiro que o interessasse.

Por conflitos familiares e sociais, o "casal", até então não formado, passa por situações de pré-julgamentos e preconceitos recíprocos e acabam fertilizam o ódio um pelo outro. Pelo menos até um determinado acontecimento que faz com que cada um repense no que ouviu e no que sentiu para poder observar o outro lado de suas respectivas personalidades. E por mais que Elizabeth deteste a convivência e o jeito inicial em que julgava Mr. Darcy, ela acaba se apaixonando por ele e nutrindo um amor real. Sem cenas constrangedoras de romance ou pieguismos desnecessários. Eles se amam de verdade, pelo simples fato de conhecerem primeiro os seus defeitos, para depois desvendar suas qualidades.  

A obra faz jus ao título de clássico que ganhou. Publicado originalmente em 1813, Orgulho e Preconceito, assim como Elizabeth é uma história a frente do seu tempo. As críticas reveladas em sua narrativa podem facilmente se aplicar à época em que vivemos. Casamentos em busca de interesses ou o matrimônio apressado para satisfazer familiares e a sociedade acontecem todos os dias. A diferença é que atualmente, deveria-se cultivar a junção pelo amor, mas infelizmente, duzentos e dois anos depois, ainda é possível identificar traços de uma sociedade atrasada e em busca de status.

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